Tudo ao mesmo tempo
Sabe quando as coisas que você planeja estão funcionando, seguindo seu curso normalmente e de repente uma sucessão de acontecimentos inesperados muda tudo? Pois é… que minha vida nunca foi feita de facilidades, não é novidade, mas eu estou tão nervosa com a mudança de país, com meu casamento que tudo parece ser MAIS do que é realmente. Mais chato, mais lento, mais burocrático, mais (insuportavelmente) difícil de realizar. Tem dias que eu tenho vontade de sentar e chorar, chorar muito, chorar tudo que está preso aqui no meu peito.
É a saudade do Espen, é a dor da distância, é o medo do desconhecido que me espera na Noruega, é a culpa de estar indo embora deixando minha mãe sozinha, é a preocupação sobre como ela ficará sem mim, são os problemas com a quebra do contrato de aluguel (eu não esperava conhecer alguém e me casar em tão pouco tempo, menos de 36 meses!), é a procura por um lugar para ela ficar, é o planejamento de como vou me desfazer, vender, doar os móveis que não vou usar, informações sobre o envio de móveis e algumas coisas que não caberão na mala, e o custo disso.
Sem falar na pressão que vivo em casa, minha mãe me dando sustos porque a diabetes dela anda descontrolada, todos os dias tem hipoglicemia (quantidade de açúcar no sangue menor do que o necessário para nos mantermos bem), minha avó está no CTI há uma semana e isso afeta minha mãe. Ahh e na quinta passada meu filho ligou quando eu saía do trabalho para avisar que minha mãe estava desmaiada de novo por conta de uma violenta hipoglicemia e eu presa na merda da Barra da Tijuca! Sim, aquilo lá é um buraco.. na hora que eu saio do trabalho é um horror o engarrafamento. Voltei na maior tensão, rezando para chegar logo.. mas tudo acontece né? Chamamos o SAMU que óbvio demorou a vir, chamei a AMIL, que também não poderia chegar em menos de 3 horas (!!!!), chamei três empresas de taxi e não conseguia alguém que viesse me acudir, porque os motoristas não podem fazer o serviço de “carregar” pessoas! Porra… onde fica a solidariedade desse povo? Eu só precisava que alguém me ajudasse a descer as escadas com ela, é magrinha mas pesa né?!
Os vizinhos é que me ajudaram, pararam um taxi na rua e me ajudaram a colocá-la no carro. Fomos eu e meu filho para o hospital… achei que dessa vez ela não voltaria. A glicose estava em 32, o normal é entre 90 e 120. Diante disso eu tive que conversar com ela e convencê-la que é muito complicado ficar sozinha num apartamento com uma empregada. Quem depende de empregada sabe como é… a nossa por exemplo, não veio a semana toda e nem deu satisfação, e se ligarmos ela não atende. Eu só aceito empregada aqui porque trabalho fora (e longe) e porque ela fica em casa e precisa de alguém ajudando, mas eu não gosto de estranhos dentro da minha casa, mexendo nas minhas coisas.
Vamos aguardar o que a vida nos reserva, mesmo com medo eu ainda acredito que tudo terminará bem. O ruim é enfrentar isso tudo, sinto muito medo, fico com uma sensação ruim dentro do peito. E a sensação de que a vida está passando numa velocidade muito grande e eu não consigo acompanhar.. por isso eu sempre peço para parar tudo para eu descer do bus, do trem, do avião..!
Haja reza, haja orações, preces e tudo que puder me ajudar, me proteger…
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