O tempo é um santo remédio
22 Jun
Lembro que há sete meses eu era uma mulé burra, apaixonada e ridiculamente babaca. Tá, eu quis, eu fui mulé burra e me deleitei por um bom tempo nos braços e nos beijos do bonitinho (esse lance de química é irresistível), mas depois a coisa foi cansando.
Só me dei conta que estava “acostumada”, talvez viciada na presença dele depois desse afastamento. No início a crise de abstinência é complicada. Vc sente tudo, palpitações, tremores, vontade de chorar eternamente.. depois passa.
Eu achava que não sobreviveria à separação, houve dias em que eu me arrastava para fora da cama para ir trabalhar e passava o dia dentro da minha ostra com meus pensamentos, minhas lembranças e me sentindo uma merda por ter chegado ao fim. Mesmo sabendo que era melhor, que isso me traria alívio no final de tudo, eu me sentia uma merda.
Só que depois de uns meses percebi que não morri, sofri sim, mas não morri, não me desfiz lágrimas porque ele não estava mais comigo. Mas afinal nunca esteve de todo. Um cara casado, com filho pequeno e um medo do cão de mudar isso. Ou estava aproveitando a comodidade que uma namoradinha por fora proporcionava nessa rotina infeliz. Sim pessoal, porque eu não acredito que um relacionamento assim possa ser feliz.
Não vou entrar no mérito do que é certo, normal, aceitável entre trair ou não trair, ser traído e ficar quieto ou qualquer porcaria assim. Já estive dos dois lados e é uma merda. Sempre.
O que quero dizer é o seguinte: o tempo passou e as coisas mudaram. O que era para ser um flerte virou um caso de um ano e o melhor veio agora, a compreensão do que valeu e vale à pena. Minhas pernas não tremem mais como antes, consigo ficar sem retornar uma ligação ou email dele por dias e rir muito do desespero do pobre qdo me encontra e diz baixinho “Poxa, vc ainda não retornou me último email”. O poder de escolha é a melhor coisa que existe nesses casos!
Não vou entrar em muitos detalhes aqui, mas voltamos a trabalhar perto e isso mexeu com ele. Agora eu vivo desconversando, fingindo que não é comigo, evitando encontrá-lo na rua (qdo eles querem, TAMBÉM acham a gente na livraria, no restaurante, na volta ao trabalho – desconfio que marcam o horário para um encontro “casual”).. e toda semana ele tem um oizinho para dar, uma insinuação para fazer de que deveríamos sair mais uma vez.
Naquela época foi bom, era o que cabia, desejava (sabe aquele lance do “a ocasião faz o ladrão”?), hoje só isso não me serve, nem satisfaz. No último email eu sinalizei que era a segunda vez que dizia com todas as letras que não íamos sair e que era melhor assim, mas a pessoa tem leitura seletiva, sabem?
Como já conheço a peça, vai levar uns quatro dias, talvez uma semana para ele engolir mais esse fora e tentar de novo, fingindo que não leu o que leu… É engraçado, qdo estou conectada ao Gmail ou GTalk vejo quantas vezes por dia ele entra na conta dele (que fui eu que criei) e fico me perguntando, com um certo ar de riso, se ele está lendo pela vigésima vez o bendito email ou se está ensaiando uma resposta…
Homens…!







Sei como é isso!
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Faz muito bem. Você merece mais da vida! Muito mais! Beijos!
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